Uma aposta grátis de R$ 100 não é R$ 100. Se você apostá-la e ganhar, a casa costuma pagar só o lucro, e ficar com o valor apostado. Se perder, não sobra nada. Ou seja: o número na tela é uma promessa, e o que ela vale depende inteiramente do que você faz com ela.
A operação que resolve isso é simples de entender e chata de executar: você usa a promoção num resultado, numa casa, e cobre o resultado contrário com dinheiro real, em outra casa. Escolhendo o valor da cobertura com cuidado, os dois desfechos passam a pagar exatamente igual. Quando isso acontece, o jogo virou irrelevante: você não torce mais, só recolhe.
A conta, com números de verdade
Você tem uma aposta grátis de R$ 100 e vai usá-la num resultado que paga 4,00. O resultado contrário, em outra casa, paga 1,36.
Se a grátis ganhar, a casa paga R$ 100 × (4,00 − 1) = R$ 300. Repare no menos um: é o valor apostado que não volta, e é dele que sai tudo o que vem a seguir.
Agora, quanto cobrir? O valor que iguala os dois desfechos é R$ 300 dividido por 1,36, ou seja, R$ 220,59. Conferindo:
- grátis ganha: recebe R$ 300 e perde a cobertura → +R$ 79,41
- cobertura ganha: R$ 220,59 × 0,36 → +R$ 79,41
Os dois números são iguais, e é isso que significa travar. Daquela aposta grátis de R$ 100, você ficou com R$ 79,41: uma conversão de 79%. A calculadora faz essa conta e ainda busca o melhor par de odds do momento nas casas licenciadas.
Odd alta converte melhor, e isso é contraintuitivo
Com dinheiro seu, a odd escolhida quase não muda o resultado de uma operação travada. Com aposta grátis muda tudo, porque o que você leva depende do que sobra acima da odd 1,00.
Na melhor das hipóteses, com uma cobertura sem margem nenhuma: odd 1,50 devolve 33% da grátis, odd 3,00 devolve 67%, odd 6,00 devolve 83%. Queimar a aposta grátis no jogo "mais seguro" é o erro mais caro de quem recebe a primeira, e é exatamente o que a maioria faz.
Quando o valor apostado volta
Existe uma variante mais rara em que a casa devolve o valor apostado junto com o lucro. Algumas chamam de aposta segura, outras devolvem em caso de perda. Aí a matemática é a de dinheiro comum: a casa paga R$ 100 × 4,00, e não R$ 100 × 3,00. Converte bem mais, e vale conferir nos termos qual das duas você tem antes de fazer a conta.
Bônus de depósito e rollover
O bônus de depósito é outro produto. A casa credita um valor e exige que ele gire um número de vezes antes de liberar saque. Cada giro custa a margem do mercado onde ele é feito: uma aposta comum queima cerca de 5%, e cobrindo os dois lados nas casas certas o mesmo giro sai por menos de 1%.
Um bônus de R$ 200 com rollover de 10 vezes obriga a girar R$ 2.000. A 3% de custo, são R$ 60 para liberar: o bônus vale R$ 140, e não R$ 200. A 6%, o custo vira R$ 120 e sobra R$ 80. Rollover alto o bastante torna a promoção negativa, e a conta precisa dizer isso antes de você depositar.
É aqui que o low hold importa: ele encontra os pares de casas onde girar custa o mínimo.
As pegadinhas que estão nos termos
Antes de qualquer conta, leia as regras da promoção. As quatro que mais estragam a operação:
- Odd mínima. Muitas exigem 1,50 ou 2,00. Como odd alta converte melhor, isso normalmente não atrapalha, mas uma regra de odd máxima atrapalha muito.
- Mercados excluídos. É comum proibir dupla chance, empate anula, cash out e apostas de baixa margem, que são justamente as que serviriam.
- Prazo de validade. Aposta grátis costuma expirar em dias. Pressa faz aceitar par ruim, e par ruim come a conversão.
- Como o bônus é liberado. Alguns viram saldo sacável ao fim do rollover; outros somem e você só fica com o lucro gerado. São contas completamente diferentes.
O risco que a matemática não cobre
A conta acima é exata. A execução não é. Entre registrar a primeira aposta e a segunda, a odd muda, a casa aceita só parte do valor ou o mercado é suspenso. Uma perna aberta deixa de ser operação travada e vira aposta comum, com preço ruim. Por isso vale conferir as duas odds antes de começar, e não no meio.